terça-feira, 26 de outubro de 2010

Raridades


A atmosfera Venusiana
Me faz sorver
Gota a gota,
Esta esparsa chuva primaveril !

A desolação Lunar
Te faz ainda mais rara,
Minha cara condição
De vivo estar...

E ai percebo
Que amo tudo e todos
Aqui,
Neste raro instante azul...

Mas como vulcões,

Ativos em cósmicas instâncias,
Grito também, minhas erupções... 



Veras

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Cabeça

Dentro da cabeça que dormia
Iluminava as silenciosas trevas
O magma espesso que fluía
Erguiam-se monumentais
Cordilheiras nevadas que subiam
Que espetavam nuvens
Que perfuravam céus
Chegando a um passo
De uma intrigada lua

Dentro da cabeça que dormia
Com os mapas das distancias impossíveis
Exercitavam-se asas brancas e cinzas
No humano dorso em que cresciam

E fora da cabeça que dormia
Encostado na parede por pintar
Eu, ali, parado
A observar 



Veras

Poesias biodegradáveis

No momento
Minha única certeza
Era aquela poesia,
Fluindo no cano
Rumo a distante baia
Palavra a palavra
Vestida em nobre caligrafia
Em papel rasgado em ira
Decompondo-se
Em sua biodegradabilidade,
Pelas quentes, úmidas e escuras,
Instancias recônditas da humanidade
Sob indiferentes retinas e alfaias
De ratos , baratas e lacraias... 



Veras

Garimpo.

Noite

Transpiração

Enquanto luas escorrem
Pelos braços exaustos
Palavras e letras escapam
Pela trama da peneira

Tento, insisto
Mas ele não chega

Mãos trêmulas refazem
Movimentos circulares
Mas nessa trama, só entulho
Pedras e pesares

Madrugada de tentativas
Idas e vindas,
Nada

Restou
Dia de conformação,
Enquanto o sol acende
O rosto extenuado
Palavras e letras acalantam
O poema inalcançado... 




Veras

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Lagarto

Cá estou
Esparramado no granito quente
Sob um sol amigo
Sanando, um a um,
Conflitos em minha mente,

Hoje eu sou um lagarto,
Mas creiam,
Um dia já fui gente;
Li Homero
Bebi vinho
Tomei banho quente,
Mas o que melhor eu fiz
Foi amar, amar intensamente

Implorei, rastejei,
Fui tão apaixonado e insano
Que inefavelmente transcendi
O tênue limite do humano

Foi quando me vi assim
Neste lúdico e feroz oceano
Nadando com os iguanas

E agora
Meus únicos problemas
São estes urubus... 



Veras

terça-feira, 19 de outubro de 2010

De um tipo de amor

O amor então
Pode não ser tão bom assim ?
Pergunte aos amantes rasgados

Pelos espinhos ocultos daquele insano jardim,

 O amor pode ser perda de tempo 

Perda de peso, perda de si 
Atrapalhar teus estudos 
Encerrar-te num convento
Deixar-te infindo, cego e surdo
Folha seca na calçada sem vento...
 

Mas o amor pode ser bom em algum momento ?
Talvez o início,quando a fagulha acende o fogo,
Quando , as iniciais, no fresco cimento,

O secreto e  lento  
Instante da eclosão da flor,
O amor...

Mas o tempo virtuoso ,
Experiente em seu trabalho,

Se empenhará
Em não deixar durar tal "ato falho"...
Pois saiba,
Vai transformar o fogo em cinzas,
Os jovens em ranzinzas
O aço e o ferro em pó,
E fazer do belo e rosa laço,
Um desbotado e seco nó



Veras

Camuflados

Ainda que tardia,
Nos secretos 

Metros quadrados desta realidade,
Continuamos a tramar
A nossa particular revolução,
 

Insurgentes e sabedores
Das vigentes inverdades,
Camuflados entre covardes
Seguimos disfarçados,
Nesta normal condição ! 


Veras

Agora

Na crosta da carne que chamam Terra
Imperam espécies em sonhos de latifúndio
Inconsoláveis diante do que se encerra
Inventam Deuses e vidas além mundo

E eu que questiono tais aspirações
Sigo investigando por veios mais profundos
Para humildemente em versos e canções
Celebrar o Agora em seus raros segundos 




Veras

Inspiração agônica 2


Choro ,
viúvo
de minhas inspirações poéticas...

Misturo-me discreto,
com outras lamúrias,
com as folhas mortas,
em branco,
em ventos constantes ,
em carícias circulares
sobre o mármore escuro
dos meus poucos versos...

Na necrópole das idéias,
sobre raso sepulcro,
deito-me,
anjo de bronze,
em meu vestido
longo e mimético,
que se fundi
com a alameda estreita,
a sombra, o cedro

e o sol das cinco... 
 
 
 
Veras